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27 de junho de 2017

Fofis


No reino chamado Fofolândia, o homem que ocupa a cadeira suprema (fofo, substituindo o titular, esse não fofo) resolveu decretar:
"Chega de fofo por aqui!", talvez com ciúme da atenção dedicada aos demais fofos do reino. E, numa canetada, autorizou a (quase) livre comercialização de medicações até então proibidas, porque já amplamente evidenciadas como inúteis no tratamento da fofice, além de muito perigosas nos efeitos colaterais (com frequência ceifando a vida de ex-fofos do tal reino, hoje absolutamente cadavéricos).
Se não o medo da concorrência, fica difícil imaginar outros motivos (os lícitos, pelo menos) que possam ter provocado tal medida. Quem é o rei, para se pronunciar como especialista no tratamento da obesidade? O que descobriu ele, que até então ninguém sabia?
Curiosamente, o decreto chega numa época em que essas medicações já tinham caído no descrédito da própria população (fofos e fofóbicos incluídos). E agora, com o Pequeno Momo dando uma força, deverá ganhar novo impulso, pelo menos nos novatos e desavisados.
Fez rir o comentário de um presidente de conselho médico da Fofolândia: "os médicos terão critério para prescrevê-los".
Ah, doutor, conta outra, vai, porque a Fofolândia não está tendo muito motivo pra rir ultimamente!

23 de junho de 2017

Sócios Pagam Caro


Qualquer pai e qualquer mãe ao se deparar com algum comportamento potencialmente aditivo (que pode levar ao vício) de seu filho naturalmente se preocuparia.
Pelo menos tentaria buscar tratamento especializado.
Não é o que acontece com as chamadas mídias sociais (Facebook, Instagram, Whatsapp e outros). 
Se você está pensando que é exagero, que as mídias não viciam, não causam dependência, olhe para o seu lado (ou mesmo olhe para o espelho!). Verá pessoas absolutamente alienadas do mundo, catando um sinal de wifi desesperadamente para saber das últimas, irritadas quando alguém as interrompe.
As mídias sociais foram sendo aperfeiçoadas com o passar do tempo para apresentar informações de maneira que viciem, por experts do ramo da psicologia ligados aos jogos de azar dos cassinos. Assustaria alguém que viesse de um passado não tão remoto, ver as pessoas grudadas nos seus smartphones enquanto comem, atravessam a rua ou mesmo quando estão no banho ou dirigindo.
De forma interessante, os "viciados" (como todo viciado) têm na ponta da lingua a lista de vantagens de pertencer a esse mundo: sociabilização, informação, serviços, lazer, etc. Todos os itens que existem de forma melhor fora das mídias (mas é difícil convencê-los)! 
Outro fato interessante (e muito preocupante!) é que esse vício é o único (com exceção, talvez, da televisão, mas em menor grau) em que os pais mais do que ensinar aos filhos aprendem com eles, criando uma legitimação (e mesmo estímulo) do ato no próprio ambiente domiciliar (e com muito pouco senso crítico).


Há que se pensar nisso. As pessoas mais equilibradas emocionalmente, realizadas profissionalmente, saudáveis, não serão no longo prazo aquelas grudadas nessas mídias. Bem pelo contrário.

20 de junho de 2017

Ultraje Ao Rigor


"Então, doutor, amanhã pensei em não levar ela pra aula. Ainda não tá muito boazinha, né? Vai que piora lá, ou sei lá, baixa a imunidade, ou..."
Não, né?
É grandinha, deve ter suas responsabilidades, não está tão mal assim (imagino que amanhã menos ainda, visto que é criança, e criança recupera rápido), e você não deve querer que ela cresça com essa noção de que "qualquer coisa não vou", afinal não é disso que reclamamos tanto do nosso país, onde as pessoas faltam, dão um "migué" a toda hora nos trabalhos, nas suas obrigações?...
"É..."
É! Então tá aqui a declaração de comparecimento de hoje, mas amanhã (a não ser que algo muito inesperado aconteça), aula! Obrigação!
"É que o doutor esqueceu que depois de amanhã é feriado..."
...

(a culpa é dos políticos...)

16 de junho de 2017

Os X da Questão


Uma outra "modinha" muito vista nos Pronto Atendimentos hoje é a coisa do radiografar qualquer criança que apresente sintomas respiratórios, do espirro à tosse produtiva (com catarro), daquela sem febre e brincando enquanto espera a consulta àquela com esforço respiratório.
Não!
Não posso entrar como um louco nos serviços e aconselhar (esganar?) certos colegas mas falo com você, pai ou mãe da criança:
Embora pareça interessante a idéia de trazer mais elementos ao diagnóstico, o raio X só deve ser feito quando há dúvidas diagnósticas ou quando se necessita comprovar um diagnóstico mais grave (até para se ter parâmetros para a evolução).
Não é o caso da grande maioria das crianças que vêm à consulta ou ao Pronto Atendimento.
Rx em exagero atrapalha o andamento do serviço, cria estresse na criança pequena, cria preocupações desnecessárias com imagens não relacionadas à hipótese diagnóstica, atrapalha certos diagnósticos ou "suporta" diagnósticos errados (quando mal interpretado), além de acarretar carga radioativa (pequena, mas acumulariva) para a criança. Se não é o médico a pensar, pense nisso você.

13 de junho de 2017

Gripe "Mal Curada"


Lá das terras de onde venho existe uma expressão muito usada popularmente: a chamada "gripe mal curada".
O que seria, exatamente, a "gripe mal curada"?
Pode procurar nos alfarrábios (pelo menos nos alfarrábios oficiais, médicos): não está lá, tal definição. É mesmo, então, mais uma criação popular, como a pipa e o maracatu.
Nas crianças, o que os pais costumam chamar de gripe mal curada parece ser um dos dois fenômenos:
1) as complicações de uma gripe ou resfriado, minoria dos casos, mas não tão raro assim (como uma pneumonia ou alguma infecção bacteriana, como uma otite), e
2) o encadeamento de vários resfriados e/ou gripes em prazos muito curtos, dando a impressão de uma gripe/resfriado prolongada e contínua (fato muito mais comum, principalmente em crianças muito pequenas nos primeiros anos de creche ou escola).


O termo é mais um fantasma a assustar os pais mais novatos no inverno.